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Como a produção agrícola pode ajudar no combate à fome no Brasil

Como a produção agrícola pode ajudar no combate à fome no Brasil

Como Engenheira Agrônoma formada em 2007, trabalho há 12 anos no mercado, compaginando  com algumas pós-graduações, dentre elas, Especialização em Gerenciamento Ambiental e Mestrado em Recursos Agroambientais. Já fui eco-louca, já torrei a paciência dos meus pais sobre a importância da reciclagem, já fiz campanha para trocar copos de plástico por canecas de cerâmica na minha empresa. Hoje tenho um approach distinto e uma visão mais real do que podemos fazer para melhorar a qualidade do ambiente dentro do que me cabe na profissão e no dia-a-dia.

Alguns hábitos alimentares da nossa sociedade deveriam ser seriamente repensados, e não estou falando de buscar produtos orgânicos e ecológicos. Fazendo uma pausa para falar disso, as palavras “orgânico” e “ecológico” são vastamente utilizadas para descrever produtos mais saudáveis e sustentáveis, e isso nem sempre é a realidade. São produtos trabalhados de acordo com algumas listas de práticas pré-estabelecidas e com uma lista de insumos pré-selecionados que não significam, necessariamente, serem melhores, nem mais saudáveis, ou mais harmoniosos com o ambiente, mas sim com um marketing mais forte, que permitem aos supermercados e meios de distribuição cobrar um preço mais alto por eles. Ponto.

“O orgânico não é sempre o mais saudável, nem o mais nutritivo, nem o mais seguro, e pasmem, também não é o mais controlado.”

A sustentabilidade ainda é um conceito pouco entendido e que precisa entrar na cabeça dos consumidores. Algo sustentável é categorizado como: ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo, culturalmente diverso. A variável economia faz parte da equação, assim como a variável social também. Não é só algo “ambiental” ou “cultural”.

Quando pensamos em sustentabilidade no mundo agrícola, precisamos pensar muito bem sobre uso da terra e variabilidade de cultivos. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Amazônia nunca deveria ser utilizada para agricultura, por um simples fato de que a sua localização está sobre um solo extremamente arenoso, cujo ecossistema funciona somente porque a floresta ali está. Destruir a Floresta Amazônica é desertificar totalmente aquela região, e isso é algo que devemos combater todos os dias.

MAS COMO FAZER ISSO DE DENTRO DAS NOSSAS CASAS?

Algumas pequenas mudanças nos hábitos alimentares ajudariam muitíssimo, por exemplo: reduzir o consumo de carne bovina principalmente, mas também suína e de aves. Por que isso? Porque a indústria da carne impulsiona a indústria dos grãos (as chamadas commodities) para alimentação dos animais – e a produção massiva destes mono-cultivos em grandes fazendas, com milhares de hectares, faz uma pressão ambiental imensa nas áreas agricultáveis do país, com cada vez mais pragas e mais necessidade de uso de produtos de proteção de plantas, além de passar por cima, muitas vezes do pequeno produtor, que acaba com sua produção sendo vendida a preços muito baixos.

O consumo de produtos locais e produtos “da época”, é outra prática pouco utilizada e comentada, e poderia fazer uma diferença enorme na qualidade dos produtos e da alimentação. Falamos tanto no carbon-footprint das empresas e de como a indústria polui o mundo, porém não pensamos em colocar a banana – tão cultivada em várias áreas costeiras do país – nas merendas escolares, e preferimos oferecer o kiwi importado que precisou do avião e do caminhão para chegar em diversas regiões. Escolher produtos frescos e produzidos perto das grandes cidades é uma atitude muito interessante com resultados muito positivos em várias grandes cidades do mundo.

O aumento da produtividade agrícola, seja do pequeno, médio ou grande produtor, deveria ser uma prioridade ao falar em avanços no campo. Utilizar cada vez mais a engenharia genética para produzir plantas mais resistentes e com maior produtividade, porém, contar também com os avanços das empresas com produtos de alta qualidade de nutrição e biostimulação de plantas. Estas são formas de evitar perdas de potencial genético devido a deficiências nutricionais ou perdas causadas pelo estresse abiótico, melhor entendido como seca, salinidade, calor etc. A cada dia que passa também novos avanços nas maquinarias agrícolas e práticas culturais devem chegar para reduzir a pressão ambiental “causada” pela agricultura.

Ao falar da realidade agrícola do Brasil, não se pode pensar somente no que as mídias tradicionais de jornalismo ou as redes sociais dizem. Os produtos de proteção de plantas são necessários sim, para poder reduzir as perdas causados por fatores bióticos, tais como fungos, insetos e bactérias, e poder atingir o máximo de produtividade. Se até 2030, um dos objetivos é dobrar a produtividade agrícola, toda e qualquer tecnologia será bem-vinda para isso.

Não podemos esquecer que a produção agrícola é necessária para alimentar as pessoas, mas também para mover a economia do país – lembrem-se dos conceitos da sustentabilidade! Não acredite que o campo é sujo, que a agricultura é a vilã da natureza. Temos que ser cada dia mais integrados e conscientes, de que o ambiente é sim muito importante, porém não podemos esquecer que os seres humanos também são, precisam comer, e fazem parte deste ambiente que devemos cuidar!

Paulista, 34 anos, formada em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP com especialização em Gerenciamento Ambiental e Mestrados em Recursos Agroambientais e Gerenciamento de Projetos. Defensora fervorosa dos Ecossistemas Naturais, amante da Floresta Amazônica e dos passeios nas Chapadas e Montanhas.
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